As Forças Armadas da Venezuela declararam nesta sexta-feira seu apoio à decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de romper relações diplomáticas com a Colômbia e disseram estar prontas para um possível combate em caso de invasão do território venezuelano.
Venezuela rompe relações com a Colômbia; entenda a crise
"A Forças Armadas Nacionais Bolivarianas mantêm sua preparação operacional e estão dispostas a executar as tarefas que forem impostas pelo comandante-em-chefe e presidente da República", declarou o ministro da Defesa, general Carlos Mata, que leu uma declaração na televisão oficial VTV.
O presidente Chávez ordenou que as Forças Armadas se mantenham em "alerta máximo" na fronteira ante a possibilidade de alguma agressão diante do risco de que o colombiano Alvaro Uribe, "movido por seu ódio contra a Venezuela", opte por uma ação militar contra Caracas.
"Conte o governo com uma resposta contundente se forças estrangeiras tentarem violar o solo sagrado do maior homem da América", acrescentou o ministro, referindo-se ao libertador e grande herói venezuelano, Simón Bolívar.
O ministro, assim como outros membros do governo, desmentiu "categoricamente" as declarações do embaixador colombiano na OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Hoyos, de que há 87 acampamentos e cerca de 1.500 guerrilheiros colombianos dentro das fronteiras da Venezuela, sob leniência de Chávez. As acusações levaram o presidente a romper relações com Bogotá.
COMBATE
Mata assegurou que os esforços dos militares venezuelanos "têm sido enormes" para combater o narcotráfico e a presença de rebeldes em seu território e que é responsabilidade da "oligarquia colombiana" se "existe sangue" na história destes países vizinhos.
Mais cedo, o embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, reconheceu que há guerrilheiros colombianos no país, mas negou apoio aos rebeldes e afirmou que as Forças Armadas venezuelanas não apenas combatem a guerrilha, como já entregaram membros capturados à Colômbia.
Na noite de quinta-feira, o ministro da Defesa afirmou que a situação na extensa fronteira entre Colômbia e Venezuela é "normal", em declarações concedidas ao término de uma reunião extraordinária do Conselho de Defesa da Nação, organismo máximo consultor do país sobre segurança e defesa.
Ao terminar de ler a declaração, o ministro da Defesa bradou o lema "Pátria socialista ou morte! Venceremos!", utilizado pelo presidente e pelos militares em seus atos públicos.